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Nos séculos XIV e XV predominava profunda ignorância concernente ao conteúdo da Escritura: Alguns doutores de teologia nunca haviam lido a Bíblia toda. A Renascença chamou a atenção para a necessidade de conhecer as línguas originais a fim de entender-se a Bíblia.1 O sentido quadruplo das Escrituras (Virkler denomina período da exegese medieval) engendrado por Agostinho (600-1500)2estava sendo deixado de lado. Foi, então, após esse período que a hermenêutica teve o seu desenvolvimento sadio. O reformador Lutero acreditava que uma interpretação adequada das Escrituras deve proceder de uma compreensão literal do texto. […] ele acreditava, também, que a bíblia é um livro claro3 e inspirado por Deus4.

Ramos Neto comentando Fee e Stuart diz que ambos concordam e acrescentam: Lutero afirmava que a Bíblia era compreensível a todos enquanto fosse interpretada histórica e   gramaticalmente, sem a interferência da Igreja. Nas suas palavras, “sola scriptura se tornou um lema da Reforma”.5Portanto, o método histórico – gramatical se origina na intensão de retornar a infalibilidade da Palavra de Deus. Quando os reformadores (Martinho Lutero, Philip Melanchton, João Calvino, Ulrich Zuínglio e outros) acentuaram a necessidade de retorno às Escrituras, eles ressaltaram a interpretação histórica, gramatical. Com histórica, estavam-se referindo ao contexto em que os livros da Bíblia foram escritos e às circunstâncias em jogo.  “Com “gramatical”, referiam-se à apuração do sentido dos textos bíblicos mediante estudo das palavras e das frases em seu sentido normal e claro”.6Portanto, se cremos que a bíblia foi verbalmente inspirada, […], então acreditamos que cada palavra nela contida é importante. […] A interpretação gramatical é o único método que respeita integralmente a inspiração verbal das Escrituras.7Bentho chama esse método de contexto gramatical e lógico e diz que o este contexto gramatical estuda as regras para a construção e coordenação das frases, exclusivamente, através da sintaxe, a disposição das palavras na oração e das orações no período.8

O método histórico gramatical tem por objetivo achar o significado de um texto sobre a base do que suas palavras expressam em seu sentido simples, à luz do contexto histórico em que foram escritas.A principal diferença entre o método histórico – gramatical e o histórico – crítico é:

HISTÓRICO – CRÍTICO:

1) adota as técnicas da crítica histórica e da literária. Reconhece que, embora seja a Palavra de Deus escrita e inspirada, a Bíblia é um registro antigo, composto por muitos autores humanos durante um longo período de tempo.10

2) o método histórico-crítico exige a interdisciplinaridade, ou seja, busca o diálogo com outras ciências. Destarte, o praticante do método deve possuir conhecimento balizado de sociologia, psicologia, direito, história, arqueológica, grego, hebraico, filosofia, entre outras disciplinas. 11

3) O texto bíblico não é mais fonte de esclarecimento, mas passa a ser um objeto que precisa ser esclarecido.12

HISTÓRICO – GRAMATICAL:

1) Se uma pessoa não acredita que a Bíblia foi verbalmente inspirada, seria uma contradição e no mínimo estranho se ela se preocupasse com os aspectos gramaticais.13

2) Os interpretes da bíblia tinha o dever de estudar as Escrituras nas línguas em que haviam sido escritas.14

3) A escola gramatical foi essencialmente sobrenaturalista e vinculava-se às próprias palavras do texto como fonte legitima de interpretação autentica e da verdade religiosa (ELLIOTT). 15

Por Rafael Batista.

Referencias Bibliográficas

1 VIRKLER, Henry A. Hermenêutica avançada: princípios e processos de interpretação bíblica. São Paulo: editora Vida, 2007. p. 47

2 Idem. p. 46.

3 Idem. p. 48.

4 BERKHOF, Louis. Princípios de interpretação Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2013. p. 22.

5 RAMOS NETO, João Oliveira. Os problemas e os limites do método histórico-crítico. Revista Theos. Campinas: 6ª Edição, V.5 – Nº2 – Dezembro de 2009, p. 4.

6 ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1994. p.88.

7 Idem. p.110.

8 BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Contextual – o texto em seu contexto. Verbum editora. p. 139.

9 KUNZ, Claiton André, Método histórico – gramatical. Um estudo descritivo. p. 1.

10 FONTANA, Julio. Por que o método histórico-crítico não dá certo no Brasil?. Ciberteologia – Revista de Teologia & Cultura – Ano II, n. 10. p. 87.

11 Idem. p. 89.

12 RAMOS NETO, João Oliveira. Os problemas e os limites do método histórico-crítico. Revista Theos. Campinas: 6ª Edição, V.5 – Nº2 – Dezembro de 2009, p. 4.

13 ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1994. p.114.

14 BERKHOF, Louis. Princípios de interpretação Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2013. p. 22.

15 Idem. p. 27.