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A relação entre Deus e os Ninivitas relatada no livro de Jonas nos lança luz sobre um assunto polêmico e paradoxal. Ao observar panoramicamente os textos no livro, surgem algumas dúvidas acerca da justiça divina. Por que Deus, durante a história, condenou severamente os perversos e praticantes de injustiças e, no contexto de Jonas, disponibiliza o perdão e a possibilidade de arrependimento a um povo cruel?

Essa atitude de Deus parece trazer a sensação de proteção e preferência por uma nação que carrega uma gama de crueldades desumanas. Mas, não é nada disso. A análise textual nos traz esclarecimento sobre este caso quando afirma que “Nínive não sabe discernir entre a mão direita e a esquerda” (Jn 4:11), mostrando que esta nação não tem total consciência (padrões morais) do bem e o mal que pratica. Sendo assim, este povo cruel é também vítima da estrutura formadora que o circunda.

Independente da interpretação apontada pelos estudiosos, a mensagem do livro de Jonas é: Deus dirige o perdão até mesmo aos mais cruéis dos perversos a fim de que estes se arrependam e mudem seu moral e práticas más. Ademais, vale ressaltar que Deus não propôs migração para a religião hebreia, mas uma conversão das más atitudes.

Portanto, a lição a ser aprendida é que quando somos formados com uma ideologia politizada, absoluta e que vê em sua cultura a única base para determinar a verdade, corremos um grande risco de permanecer indiferentes quanto ao resto do mundo. Precisamos entender que nem sempre os “maus” são por opção, mas as circunstâncias políticas, econômicas, sociais e religiosas de nossos dias, podem estar sendo balizadoras para desconstrução do caráter humano. Deus estabeleceu o perdão e a misericórdia a todos através da fé, e isso foi imputado por justiça.

Por Rafael Batista