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1 Tm 6:20,21 NVI(Br)

20 Timóteo, guarde o que lhe foi confiado. Evite as conversas inúteis e profanas e as idéias contraditórias do que é falsamente chamado conhecimento;
21 professando-o, alguns desviaram-se da fé. A graça seja com vocês.

Atualmente percebemos algumas mudanças nos cultos evangélicos no que diz respeito as questões de fé e prática. Acredito, ser resultado da incrementação de crenças e práticas de religiões não cristãs na comunidade local. Consequentemente, esse prisma de crenças geraram diversas doutrinas, que por sua vez, tornaram nocivas ao amadurecimento espiritual sadio do povo.

Desde a década de 70, enfrentamos uma avalanche de pressupostos originados da pós-modernidade. Os mesmos implicam, especialmente, na rejeição da atitude mental,[1] na valorização da emoção e na exploração do fator místico. O resultado disso foi o surgimento do chamado sincretismo religioso inserido contexto religioso brasileiro. Segundo Nicodemus esse fator surgiu devido o Brasil nunca conseguir se despir totalmente da influência do catolicismo romano, Nicodemos ainda completa dizendo que por séculos o catolicismo formou a mentalidade brasileira.[2]

Embora Nicodemos tenha sido categórico em dizer que a culpa é do catolicismo romano, eu discordo! pois faço a distinção entre catolicismo romano e o catolicismo popular. Este último sim, a fim de obter membresia, abre suas porta para inclusão de ritos de diversas religiões. Este processo provoca conflitos teológicos ao especificar o que é cristianismo. Além disso, afirmo que não é um erro dialogar com outras religiões, mas sim assumir práticas antagônicas ao evangelho pregado por Jesus. Concordo com o diálogo inter-religioso, em que predomina o respeito mútuo entre pressupostos teológicos e, concordo também, com o papel ecumênico de captação de idéias favoráveis (sem conflitos teológico-doutrinários) que visam o bem-estar, a qualidade de vida, o desenvolvimento do ser humano.

Agora, retomemos o raciocínio!

O Prof. Isaías Lobão também dá sua opinião: Entendo que a versão evangélica da pós-modernidade seja o neo-pentecostalismo e seus famigerados congêneres. O neo-pentecostalismo possui diversos traços de continuidade cultural com o catolicismo popular latino-americano. Continuidade que muitas vezes desemboca em sincretismo e no reforço de práticas e concepções corporativistas.[3]

Vamos entender algumas definições sobre o termo sincretismo:

  • Champlin define como palavra derivada do grego, sunkretiza, “combinar”. O mesmo ainda afirma: É quando uma mente preguiçosa, não desejando investigar em profundidade, meramente ajunta peças de sistemas já existentes, servindo uma salada indigesta de idéias.[4]
  • Claudionor quando diz que é a fusão de elementos religiosos e culturais diferentes, e até antagônicos num único culto.[5]
  • Já o dicionário de língua portuguesa diz que é a mistura mais ou menos confusa de doutrinas e concepções diferentes.[6]
  • Concordo com o Prof. Dr. Gustavo Soldati quando diz que a palavra “sincretismo” vem do grego e significa, literalmente, “ser como os cretenses” ou “juntar-se como os cretenses”. Os diversos povos formadores das ilhas de Creta, na Grécia antiga, tinham muitas divergências entre si. Porém, quando necessitavam enfrentar um inimigo externo comum, estes cretenses uniam-se para garantir a paz interna do arquipélago de Creta. Esta “união dos cretenses” denomina-se, originalmente, de “sincretismo”.[7]

Seguindo esta linha de raciocínio, percebemos claramente que há uma fusão de elementos e rituais, oriundos das religiões afros, kardecistas, indígenas e romanistas, que são usados costumeiramente nos cultos evangélicos.

Segundo Hernandes Dias Lopes, houve uma mudança apenas de rótulo, mas o conteúdo é o mesmo; ao invés de levar um amuleto afro, leva-se uma rosa ungida, um milho ungido, em vez de aguá benta, usa-se água que foi ungida em cima da TV. Sayão expressa esse apego ao místico dizendo: É a ridicularização extrema do telespectador: vendem-se pé-de-coelho, cruz da natividade, óleo santo, etc.[8]

Já Nicodemus fala sobre esse movimento supersticioso: O catolicismo no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma nacional, enaltecendo milagres de santos, posse de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, unção e santificação de objetos, água benta, entre muitos outros. Hoje, há um crescimento espantoso entre setores evangélicos do uso de copo d’agua, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas, pentes santos do kit de  beleza da rainha Ester, peças de roupa de entes queridos, oração no monte e no vale, óleos de oliveiras de Jerusalém, água do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão, cajado de Moisés…A imaginação dos líderes e a credulidade do povo são ilimitadas.[9]

Em resumo, declaro com toda a convicção que tais objetos de culto místico servem apenas para atrair numerosa multidão para os templos, arrebanhar grupos gigantescos de seguidores, ganhar espaços nobres na mídia, promover com sucesso a numerolatria, ou seja, não possui nenhuma relevância Espiritual. Pelo contrário, de forma clara e direta, invalidam o significado da morte de Cristo na cruz, baseando a fé dos seguidores em escapulários, amuletos e práticas heréticas. Reduzem os atributos de Deus em mero secularismo; preferem ler o horóscopo ao invés da bíblia; não passam em baixo de escadas pois acreditam que podem pegar azar.

Finalizo com as palavras de Sayão: A verdade é que sem esperança racional, sem um fator de integração da realidade, sem direcionamento pedagógico- espiritual, sem formação crítica, o homem moderno tem se lançado à busca de qualquer coisa que o faça sentir-se aliviado e seguro. O desespero existencial e o vazio de significado facilitam a busca de drogas e as experiências místicas extravagantes.[10]

por Rafael Batista

Referências:
[1] GRENZ, S. J., Pós-modernismo: Um guia para entender a filosofia do nosso tempo. Editora Vida Nova, 1997,  p. 17.

[2] LOPES, A. N., O que estão fazendo com a igreja – Ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro. Editora Mundo Cristão, 2008, p. 25.
[3] PEREIRA JUNIOR, I. L., A Igreja Brasileira na Pós-modernidade. Disponível em:<http://www.monergismo.com>
[4] CHAMPLIN, R. N., Enciclopédia de Bíblia teologia e filosofia. vol.6, Hagnos, p. 229.
[5] ANDRADE, C. C., Dicionário Teológico. CPAD, 9ª Ed., 2000, p. 265.
[6] Software Dicionário da língua portuguesa, Grupo Porto Editora.
[7] REIS, G. S. Introdução à teologia – Apostila de Graduação em Teologia.
[8] SAYÃO, L. A. T., Cabeças feitas – filosofia prática para cristãos. Hagnos, 2001, p. 45.
[9] LOPES, A. N., O que estão fazendo com a igreja – Ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro, Editora Mundo Cristão, 2008, p. 28.
[10] SAYÃO, L. A. T., Cabeças feitas – filosofia prática para cristãos. Hagnos, 2001, p. 45.
Imagem: Disponível em: <https://www.pierre-et-les-loups.net/?idcat=12&show=cat>.